Paulo Silva Silva Advogado
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Atualização (agosto de 2026): o adiamento já foi publicado. A revisão do RJUE (Decreto-Lei n.º 108/2026, de 29 de maio) entra em vigor a 1 de outubro de 2026, por força do Decreto-Lei n.º 155-B/2026, de 31 de julho; no mesmo sentido, a Portaria n.º 320/2026/1 passa a vigorar nessa data. Foi ainda publicada a Declaração de Retificação n.º 29-A/2026/1.

O calendário deixou de ser uma incógnita. Depois de estar marcada para 3 de agosto, a entrada em vigor da revisão do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE) foi adiada para 1 de outubro de 2026 — e esse adiamento está agora publicado e confirmado. Fica assim um período curto, mas decisivo, para preparar operações à luz das novas regras.

Porque foi adiado

O diferimento destinou-se a dar aos municípios e aos demais intervenientes tempo para adaptar procedimentos e plataformas informáticas e para concluir a regulamentação complementar — nomeadamente a Portaria n.º 320/2026/1, que regulamenta aspetos essenciais do novo regime e que só produz efeitos com o RJUE, a 1 de outubro.

A mudança de paradigma

A reforma traduz uma alteração de fundo: menos controlo administrativo prévio, mais responsabilização dos intervenientes e reforço do controlo sucessivo. Na prática:

  • a comunicação prévia passa a assentar numa declaração de responsabilidade do interessado, podendo a obra iniciar-se após o pagamento de taxas e a comunicação de início, sem ato permissivo da câmara em muitas operações;
  • os prazos globais indexados à área de construção dão lugar a prazos intercalares por complexidade;
  • nos negócios sobre imóveis passa a ser relevante a menção ao título urbanístico, com reforço da proteção de quem compra.

O que isto significa para quem compra ou promove

Com menos «carimbo» prévio da câmara, a responsabilidade de verificar a legalidade do imóvel desloca-se para as partes. Para o comprador, a due diligence urbanística torna-se mais decisiva, não menos: já não se pode presumir que, se está construído, foi porque a câmara validou tudo. Para o promotor, a agilização é uma oportunidade — desde que acompanhada do rigor documental que o novo regime pressupõe.

O que fazer até 1 de outubro

Rever operações em curso e a iniciar; perceber que procedimentos passam a declaração de responsabilidade; e preparar a verificação de títulos e conformidades com a antecedência devida. Antecipar-se ao novo regime é a melhor forma de aproveitar a simplificação sem herdar riscos.

Tem uma operação urbanística ou uma compra em preparação? Paulo Silva Silva, Advogado, prepara e acompanha o licenciamento e a due diligence à luz do novo RJUE. Marque uma reunião ou contacte geral@advpaulosilvasilva.com · 916 055 901.

A informação deste artigo tem natureza geral, não constituindo aconselhamento jurídico. O Decreto-Lei n.º 108/2026, o Decreto-Lei n.º 155-B/2026, a Portaria n.º 320/2026/1 e a Declaração de Retificação n.º 29-A/2026/1 devem ser confirmados na redação vigente e consolidada no Diário da República antes de qualquer decisão.

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